POR RUBENS LEME
Pedi que Marcelo publicasse isso no blog dele, embora tenha o meu pessoal. A razão é que o meu não é mais para futebol. Eu tinha dito a ele que se o Palmeiras assinasse com… bem… com o malabarista de circo de segunda classe, tiraria uma licença de torcer pro meu time. Vou cumprir.
Tirar licença não significa trocar de time. Não sou vira-casaca, odeio quem trai a si mesmo, antes de tudo. Quem passou pelas privações de ser palmeirense nos últimos 30 como passei, não iria agora fazer tal insanidade.
Mas cansei. Canse de ver coisas absurdas em um time que aprendi a amar há mais de 30 anos. E olha que as humilhações foram inúmeras. Derrota de 6×1 para o Santos com dois gols de Serginho II; gol de calcanhar de Mário Sérgio, 5×1 do Corinthians, com três gols de Casagrande; derrotas para XV de Jau e ASA, título paulista para a Inter, etc…
Esse último, aliás, escapou de ser pior não fosse o meu pai – corintiano – sair de rifle em punho quando vinte amigos meus saíram de uma festa direto até minha casa com o propósito de me sacanearem. Enfurecido por ter sido acordado pelo barulho da campainha e pelos murros no portão, o cirurgião-ortopedista abriu o portão com ódio, engatilhou a arma e mandou “o que vocês querem com o meu filho?”. Imaginem o medo deles. E o meu orgulho.
Mas o amor também nos trai e quando isso acontece é preciso um tempo para nos recuperarmos. Onde fui que errei? Não sei. Onde foi que a outra parte errou? Essa resposta não cabe a mim.
O que cabe a mim é um protesto silencioso. Não vou xingar, berrar, apenas fazer greve. Não ouvirei e assistirei a jogos do meu time, ganhe ou perca; seja campeão ou não. O Palmeiras hoje, é algo que me entristece.
Maiakóvski disse que sem forma revolucionária não há arte revolucionária. O meu gesto não vai revolucionar nada, mas pode revolucionar a forma com a qual sinto e penso o futebol. Não sou o primeiro a entrar em licença; meu pai fez isso quando Edmundo foi pro Corinthians, em 96, e acho que até o Marcelo fez isso no mesmo período. Não estou copiando ninguém. Estou mostrando meu repúdio apenas.
Denílson é muito para quem sempre amou futebol. O futebol não é mais o futebol que aprendi a amar e acho que, se fosse menino hoje, dificilmente me ligaria ao esporte por falta de referenciais e exemplos.
A “greve” começa hoje. Continuarei participando do blog, mas não com a mesma paixão. Coisas do futebol.
Comentário do blog: Rubens, não há como negar que você tenha motivos para fazer o que fez. Ainda mais depois da declaração do Denílson de que, se fizer gols contra o São Paulo, não vai comemorá-los.