O jornal “Extra”, do Rio, mostra que o Fluminense mantém há muitos anos contas secretas para evitar que parte do dinheiro seja usado para o pagamento de dívidas trabalhistas já julgadas.
O assunto já chegou a ser discutido em reunião do Conselho Deliberativo, do Fluminense, logo é do conhecimento de dezenas de pessoas.
A investigação que leva a isso começou de forma quase casual. Em dezembro o comissário de bordo Daniel Pereira de Jesus, de 22 anos, morreu após cair de um apartamento de um hotel em Copacabana. Investigando se a morte havia sido acidental, um suicídio ou homicídio, a polícia descobriu um fundo falso em seu laptop. Nele havia documentos.
Esses documentos mostraram um suposto esquema fraudulento, operando por meio de sete contas do Banco Rural, com o objetivo de evitar cobranças. Entre os documentos estavam extratos bancários, demonstrativos financeiros, requisições de cheques administrativos e mandados de penhora expedidos por juízes trabalhistas.
Esse esquema teria funcionado entre 1999 e 2003, quando o presidente era David Fischel e supostamente contava com a colaboração de vários funcionários do banco e talvez de diretores.
Mais tarde surgiram indícios de que o suposto esquema continuou a ser feito, de outra forma, por meio da conta do conselheiro Roberto Guimarães, vice-presidente social. Guimarães admite a prática. Diz que já faz isso há alguns anos, para o clube não pagar as dívidas trabalhistas.
O vice-presidente de Finanças, Carlos Henrique Ferreira, também confirmou a conta paralela, mas afirma que todo o dinheiro entra na contabilidade do clube – como é que a investigação quer saber.
Na reunião do Conselho Deliberativo, em julho, um conselheiro criticou a prática e defendeu o fim imediato dela, mas não conseguiu nem colocar a proposta em votação.