Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

Como não combater a violência

Posted by Marcelo Damato em sexta-feira, 14 dezembro 2007

Li que o comandante do Gepe, o batalhão que cuida dos estádios do Rio, major Marcelo Pessoa, disse que o cadastramento das organizadas será apenas dos chefes, sub-chefes, chefes de divisão, encarregados e outros afins. Pois, segundo ele, já foi feita uma tentativa de cadastrar toda a torcida e não deu em nada.

Ora, se não conseguem cadastrar a torcida, como vão cadastrar os chefes? Como vão obrigar os chefes a se cadastrar? Das duas uma, ou não sabem quem são os chefes e não tem como cadastrá-los na marra ou sabem quem são e não precisam cadastrá-los.

Essa idéia é tão idiota que é difícil acreditar que venha de alguém que lide com o problema no dia-a-dia. Mais parece coisa de palpiteiro, como político e jornalista.

E isso não é tudo. O motivo do cadastramento é para responsabilizá-los pelos crimes cometidos pelos organizados. É muito bonitinho, mas não vai dar certo. Em primeiro lugar, porque a lei não permite. Ou se prova a participação ou nada feito. Relação de chefia não é motivo de responsabilização (se fosse diferente, provavelmente o próprio major corria o risco de ir em cana, pois é provável que alguns de seus comandados esteja respondendo por algum crime, como tantos PMs).

Mas o pior é que ao anunciar isso deram muito mais motivos para os chefes das torcidas não se cadastrarem. Alguém é besta?

Essa estratégia lembra uma declaração do chefe de polícia do governo Rosinha: quando houve uma briga entre líderes de tráficos de duas favelas (Vidigal e Rocinha). ele afirmou que um dos líderes (o vivo, o outro foi morto) era um cara muito perigoso sem nenhum escrúpulo e que por isso o melhor que tinha a fazer era se entregar à polícia!!)

Com esse tipo de inteligência no combate à violência nos estádios, ela vai continuar por muito tempo

Anúncios

5 Respostas to “Como não combater a violência”

  1. Onofri said

    É tão simples: lugar de bandido é na cadeia.
    Agora, será que seria tão humilhante dar um telefonema para a Inglaterra e perguntar como foi que eles fizeram?

    Onofri, O Jonh de Quidt, o homem do governo britânico responsável pela administração do problema da violência, já veio ao Brasil pelo menos três vezes, convidado pelo Lance (uma), pelo Ministério do Esporte (outra) e por alguém mais que não me lembro. Disse tudo o que sabia. Repetiu. Todo mundo bateu palmas. Alguém fez? Depois, um assessor do Ministério do Esporte viajou o mundo todo pago pelo governo e fez o “Relatório Paz no Esporte”, com as medidas para resolver a questão. Mas queria que os clubes aderissem de boa vontade. Andou?

  2. Ricardo - Harry said

    Eu acho que ta certo essa parada de cadastramento

    Eu faço parte de uma torcida organizada e ja sou cadastrado e tudo mais, tenho carteirinha da FPF, caso eu me meta em alguma encrenca ( coisa q nao vai acontecer, sou da paz 😛 e totalmente contra briga entre torcidas, coisa mais ridicula ) meu nome ta cadastrado nao sei aond e tudo mais.. enfim..

    Acho q tem q cadastrar todos de Torcida organizada em todo o pais, pode nao fazer muita diferença, mas ja é alguma coisa.

    Ricardo.
    Eu também sou a favor do cadastramento, Mas tem que cadastrar todo mundo da torcida, não só os líderes. Se você é de organizada, sabe que em muitas torcidas os diretores até que são mais tranquilos, os mais baderneiros são a molecada.
    O papel dos diretores é banir os marginais das organizadas. Os diretores têm que pagar pelo que fazem, mas não podem pagar por tudo que seus sócios fazem. Não sou eu que diz isso. É a lei.
    E os clubes têm que fazer a parte deles, tratando os torcedores com respeito. Até os anos 80, cadeira numerada era numerada e todo mundo respeitava. Acabou porque começaram a vender ingressos duplicados. E quem fazia isso? Os cartolas.

  3. Major Marcelo está há anos no Maracanã. Sabe quem há anos é “dono” politicamente no Maracanã e capitaliza apenas as coisas “boas” do estádio? O deputado Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, queridinho de nove entre dez jornalistas de esporte do Rio de Janeiro. Ninguém o contesta.
    Em 2001, no entanto, houve quem contestasse Chiquinho: ninguém menos que o (até hoje, aliás) tenente-coronel Erir Ribeiro da Costa Filho.
    Erir foi ao Ministério Público e à imprensa (evidentemente não a esportiva) denunciar que o sr. Francisco de Carvalho havia pedido para “aliviar a repressão ao tráfico de drogas” na Mangueira, seu reduto político.
    Tudo acabou em pizza: Chiquinho saiu bem do episódio, argumentando que “só pedira para não haver operação em horário escolar”. Ora, o horário escolar é praticamente, incluindo os dois turnos, de 7h às 18h. Neste período, pode haver crianças chegando e saindo de colégios diferentes do Rio.
    Hoje o tenente-coronel Erir Ribeiro da Costa Filho (o nome de guerra é Costa Filho) tem que “engolir” o major Marcelo Pessôa no Grupamento de Policiamento de Estádios (Gepe). Tal grupamento se reporta diretamente a ele, como comandante do Batalhão de Choque. Apesar de cultuado pela imprensa e bem respeitado na corporação, o major (um bom profissional e um sujeito de quase dois metros de altura) teve no deputado o incentivo para se consolidar no Gepe tal e qual um Ricardo Teixeira na CBF.
    A força do sr. Chiquinho da Mangueira no Maracanã continua grande. Não raro é comum vê-lo recepcionando os torcedores e sendo xingado por eles, claro. Depois de passarem o pão que o diabo amassou para entrar no Maracanã (que mesmo tendo passado por oito obras em sua gestão ainda não consegue vender ingressos adequadamente e proporcionar conforto na entrada dos torcedores), o que ele quer, né? Ser cumprimentado?
    Este “uso” do Maracanã pelos políticos é exatamente, portanto, o que acaba com os estádios e o que permite a proliferação do crime.

    Caro Gustavo. Não sabia que o nada saudoso Chiquinho da Mangueira ainda mandava no Maracanã. Não sei por quê, mas me fez lembrar o secretário de esportes, Eduardo Paes (o mesmo que disse que iria cadastrar apenas bandidos entre os torcedores organizados) dizendo logo antes do Pan “quem manda no Maracanã sou eu!”

  4. Marcelo,

    Infelizmente, nossa política – no Brasil e, PARTICULARMENTE no Rio de Janeiro – se resume a Cargos, Verbas Públicas e Indicações.
    É por aí a ascendência.
    Vou pedir uma consulta do Siafen para o Maracanã e se conseguir, envio para o Alem do Jogo.
    Mas a coisa é triste mesmo. Só privatizando.

    Gustavo, Infelizmente, você tem razão. E talvez nem privatizando. COB, CBF e clubes são todos privados e recebem cada vez mais dinheiro do governo (nosso dinheiro!!)

  5. marina said

    eu acho que a violencia hoje esta em todo o lugar principalmente dentro de casa ou na escola.O caso de issabella nardoni foi na propria casa de seu pai nao e? . eu achei muito ruim para a mae suportar que seu marido matou a propria filha.HOJE ele ja estar preso.violenci tem que acabar se nao todos nos morreremos

    Claro, Marina., concordo contigo. Só que este blog mudou de endereço. Por favor, acesse http://www.alemdojogo.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: