Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

Dois homens e dois destinos

Posted by Marcelo Damato em sábado, 22 dezembro 2007

Edmundo, 36, é um craque, um dos maiores talentos do futebol brasileiro dos últimos 15 anos. Foi ídolo no Vasco e no Palmeiras e encantou os torcedores da Fiorentina. Nunca sofreu uma contusão séria, tem uma saúde de ferro e ganhou muito dinheiro. Mas nunca soube cuidar muito de si.

Washington, 32,  é um trombador, daqueles que só tentam pôr a bola para dentro. Jogou a maior parte da carreira em times pequenos e médios. Para piorar, aos 27 anos, descobriu que tinha um sério problema no coração, que o afastou dos campos por um ano. Ainda por cima é diabético, doença grave para um atleta, que precisa sempre se abastecer de calorias, que serão consumidas na partida. Mas Washington é um guerreiro. Após superar a doença, fez a carreira decolar. Foi artilheiro do Brasileiro e arrumou um contrato no futebol japonês.

Washington foi procurado no Japão, onde brilhava com o Urawa Reds. É o principal reforço do Fluminense. Já Edmundo termina a temporada sem ter para onde ir. Se for para o Vasco, pagará para jogar, pois terá de abrir mão de parte do que o clube lhe deve.

Washington fará 33 anos anos no dia 1º de abril e ainda jogará futebol por alguns anos. Edmundo fará 37 no dia seguinte e poderia estar milionário e feliz, apenas desfrutando do que construiu.

11 Respostas to “Dois homens e dois destinos”

  1. Rubens Leme said

    Essa é uma comparação infeliz, Marcelo. Seria mais feliz se Edmundo fosse o mais jovem deles. Aí seria mais notícia pq poderia mostrar como um bom “gerenciamento” da carreira é importante. Além disso, Washington precisa se cuidar muito mais porque pode morrer em campo, de fato.

    Edmundo quebrou a perna jogando soçaite no seu condomínio quando estava no Flu, ficando quase dois meses fora do time. E esse ano no Palmeiras passou boa parte do tempo no estaleiro. Pode não ter tido uma contusão séria na carreira, mas as “pequenas” o atrapalharam demais.

    E parece que Abel Braga quer tê-lo no Inter, inclusive já falou isso para os dirigentes. Seria um meia de ligação. Não sei se irá.

    Rubens. A diferença de idade é importante e percebi isso quando escrevi a nota (tanto que fui checar especificamente isso). Mas não invalida a comparação. O Washington, no time do Palmeiras de 1993, não seria nem reserva. Ele é muito pior do que o Edmundo. Há um oceano de diferença. É inegável que, para um trombador cardíaco e meio grosso (inteiramente grosso, diziam meus amigos ponte-pretanos na época), Washington foi bem mais longe do que se esperava. E Edmundo teve bola para ir muito mais longe do que foi. Edmundo poderia ter sido um jogador histórico, alguém com 70, 80 partidas pela seleção. E Washington poderia nunca ter passado da Ponte.
    Por fim, se Edmundo for para o Inter e tiver sucesso lá, ficaremos todos felizes. E o Abel é o tipo de cara que pode ajudar o Edmundo. Tem firmeza sem ser arrogante.

  2. Rubens Leme said

    Isso sobre o Edmundo ter sido maior do que foi eu escrevi em seus comentários dias atrás também, não tenho a menor dúvida. Edmundo pode (ou podia) jogar de meia, de centroavante e de segundo atacante. Tem (tinha) chute potente com as duas pernas, um drible fenomenal, velocidade, explosão e inteligência. Potencialmente foi melhor que Ronaldo Fenômeno, mas se perdeu nas armadilhas da vida.

    Olha, no time de 1993, Washington seria fácil banco do Evair, até porque no Paulista o reserva era o Soares e no Brasileiro, o Saulo. Ele é aquele 9 típico, tipo Geraldão. Manda a bola na área que ele a empurra pras redes, com adversário e tudo.

    Rubens, pegou pesado com o Washington. O Geraldão era um bom rapaz, mas era grosso (e gordo) de doer. A imagem que guardo ele, é o Geraldão meio curvado, os dois pés no chão, depois de um voleio, olhando a bola passar por cima do travessão, do estádio, da cidade, do estado, do país, do planeta… Na minha opinião, quem derrubou a Apolo 13 foi o Geraldão.
    Depois que se aposentou foi trabalhar com o Saddam Hussein no projeto dos mísseis Scud. A falta de pontaria daqueles mísseis é a prova.

  3. Ricardo - Harry said

    Hoje, Wash eh bem melhor que o Edmundo, disso eu nao tenho duvidas…

    Como ja disse em outro post, agradeço por tudo que o Animal fez pelo Palmeiras, mas hoje não da mais.

    Agora, o Wash era idolo no JAPÃO, vamo ve se aqui no Brasil ele vinga ( eu sempre quis te-lo no Palmeiras =P ).

    E se o Animal for pro Inter, desejo toda a sorte do mundo pra ele. Ele, Marcos e Evair serao meus eternos idolos do Verdão.

    PS: Única coisa que eu não quero é que ele jogue bem contra o Palmeiras, de resto, tomara que destrua os gambás e os bâmbis.

    Ricardo, falando em gambás e bâmbis, me responda uma coisa: sinceramente os palmeirenses ainda se ofendem quando são chamados de porco? Essa é uma coisa que sempre me pareceu muito maluca. Os palmeirenses se chamam de porco, mas não toleram que os outros o façam. Conheço o motivo, quem me disse foi o próprio Serdan, muuuitos anos atrás, mas continuo achando louco. Isso continua assim na arquibancada?

  4. Flavio said

    Futebol é momento. Edmundo está numa idade na qual a maioria dos jogadores já está aposentada e não jogou tanto assim em 2007. Washington ainda vai jogar por mais alguns anos e foi artilheiro do Mundial e principal jogador do seu time campeão continental (da Ásia, mas campeão). Mas os tricolores estão colocando o jogador como se ele fosse… um Edmundo, e no auge da forma. Vão se decepcionar.

    Caro Flávio, se os tricolores estão esperando isso tudo, não há dúvida que vão se decepcionar. Mas gols do Washington não devem faltar. Isso, é, se ele jogar. Com tanto centroavante no time, alguma confusão vai aparecer.

  5. Eduardo said

    O Washington foi muito mais profissional que o Edmundo. O Edmundo foi um dos maiores atacantes brasileiros, se tivesse mais cabeça hoje poderia ser mais um desses raros atacantes de classe mundial, como o Ronaldo, o Batistuta, o Weah, o Baggio, o Raul… que ficarão para sempre na memória do futebol, mas infelizmente será lembrado na categoria daqueles que poderiam ter sido e não foram, que jogaram apenas por alguns times, são ídolos locais, como o Viola, o Giovanni, o Edilson… É uma pena, pois hoje ao invés de estar procurando clubes falidos para se aposentar e sendo renegado de outros, poderia ter uma grande despedida em alto nível.

    Caro Eduardo, O Raúl? Como diz o José Simão, eu só chamo o Raul quando bebo além da conta! Aquele do Real é um grande jogador de um time só. A seleção da Espanha é tão forte que por muito tempo o artilheiro histórico dela foi um zagueiro (Hierro). Ou estou errado? Sobre o Edmundo, a análise foi precisa.

  6. Flavio said

    O Edmundo no auge foi 20 vezes o jogador que o Raúl foi nos seus melhores momentos. Não que ele não seja um jogador muito bom, mas foi só aparecerem uns 2 atacantes de ótimo nível na Espanha (Villa e Torres), que ele já perdeu o lugar de titular na seleção deles.

    Mas concordo em relação ao Edmundo não atingindo todo seu potencial. Por exemplo, na Copa de 94, o Viola estava na reserva da seleção, assim como o Ronaldo com só 17 anos e quem o Parreira nem teve confiança pra colocar em campo, e em 2002, Luisão, Denílson e Edílson eram os reservas, com Juninho Paulista no time titular; ora, ele não jogava fácil mais que todos esses? Mas por algumas decisões ruins, trocar de time demais, etc e pela falta de controle, ficou de fora de 2 Copas em que tinha lugar fácil, talvez até no time titular.

    Caro Flavio, Você me mez lembrar de duas histórias. Em 1994, houve o “troco do Romário”, contra os paulistas. Em 1990, quem mandava na Seleção era o Careca e ele impôs o Müller, deixando Romário, Bebeto e Renato no banco. Em 1994, o Müller foi de novo, mas Romário botou uma camisa florida no marido da chacrete e disse que ele só iria passear.
    Em, o Edmundo foi para a Copa de 1998 e logo teve os jornalistas (inclusive eu) discutindo sua entrada no time com o Zagallo, pois não agüentavam mais ver o Bebeto jogar tão mal e sempre pôr a culpa nos outros. Mas quando ele entrava conseguia ser pior que o Bebeto.

  7. Eduardo said

    Está certo, não acho que Raul está no nível do Ronaldo ou dos grandes atacantes, mas os europeus acham que ele é Deus e pelo nome e carreira construida no Real Madri, sempre será lembrado como um dos gigantes jogadores de todos os tempos, infelizmente. Na mesma situação se encaixam diversos jogadores europeus, que por falta de ídolos que realmente joguem bola, somos obrigados a ver os Rauls, Iniestas e Villas da vida, sendo considerados como craques de futebol.
    Eu me lembro de ouvir um técnico espanhol, acho que o Camacho talvez, na época que o Ronaldo ainda se chamava Ronaldinho e foi eleito o melhor do mundo pelo Barça, dizendo que o Raul só não era eleito porque não se chamava Raulzinho. Aí já é demais né!

    Caro Eduardo, o Raul teve uns anos bons, mas nem no Ás, onde eu passei uma semana de intercâmbio, ele é unanimidade (e isso foi em 2002). Sobre o Villa, eu acho muito bom. Não sei se craque, mas o garoto é muito esperto. E, além disso, jogador espanhol cracaço mesmo acho que só teve o Luis Suárez.

  8. Flavio said

    O Camacho disse isso mesmo?

    Acho, que para o Raúl, se aplica o velho ditado: em terra de cego, quem tem um olho é rei…

    Flavio, Esse Camacho foi muito bom como jogador, mas como técnico não é grandes coisas. E Camacho bom mesmo foi o boxeador Hector “Macho” Camacho, que, com aquele estilo fanfarrão e tudo foi campeão mundial várias vezes e derrotou gente do porte de Ray Mancini e Sugar Ray Leonard. E, na época, o boxe ainda existia de verdade e não era essa porcaria que se tornou.

  9. Ricardo - Harry said

    Marcelo

    Eu não ligo NEM UM POUCO quando me chama de Porco. Nao vjo o pq um palmeirense ficar nervoso qd eh chamado assim, sendo que canta “Ole Porco” “E dale dale Porcooo”, enfim. Qd me chjama de porco, porquinho, eu bato no peito e falo “So porco mesmo e com orgulho”. Dando outro exemplo, eu quando arroto, logo depois eu Grito “Vai Parmeeeeeera” hahha, enfim.
    Agora, coisa que eu nunca vou ouvir em estadio eh a torcida fiel cantando “Gambaaaaaas E-O” e a torcida tricolor gritando “Sou Bambi ateh morrer”, enfim…

    Ricardo. A minha posição é exatamente a mesma. Desde que o Palmeiras adotou o porco, naquele jogo da época do Edu Manga, não teria mais por quê rejeitá-lo em público. Mas, se você nunca viu nenhum palmeirense ficar nervoso por ser chamado assim, deveria ter lido os e-mails que recebi em 2004 ou 2005 de palmeirenses por ter usado esse apelido numa coluna. Nem em Dia das Mães, a minha foi tão lembrada.
    Um diretor da Mancha (não lembro o nome) me ligou e deixou claro: só palmeirense podem chamar o Palmeiras de porco. Se for outra pessoa, é ofensa. Vai entender.

  10. Rubens Leme said

    É aquela coisa: filho meu só eu posso xingá-lo.

    Eu me lembro no dia em que quebraram o porquinho, em 1987. Foi em Rib. Preto no jogo Botafogo 1×1 Palmeiras. Estava na arquibancada do lado palmeirense. Um gandula deu um tapa no porco que o Zetti levantava mostrando pra torcida como fazia em todos os jogos, e ele se espatifou no chão.
    Depois disso, alguns palmeirenses revoltados pularam o fosso, fizeram uma “ponte” com as placas publicitárias, pegaram o tal gandula, arrastaram pras arquibancadas, puseram nas escadas de cimento e o espancaram com socos e pontapés por uns 10 minutos, com a conivência da polícia que viu e olhou de lado como se nada tivesse acontecido. Findo o massacre jogaram o corpo do rapaz dentro do fosso. Foi a maior demonstração de selvageria que assisti em um estádio. Tudo isso aconteceu há menos de 5 metros de onde eu estava.

    É, Rubens, aquilo foi uma coisa incrível, que, de forma mais incrível nunca aparece nas listas das maiores barbaridades de um campo de futebol.

  11. Rubens Leme said

    Deixe eu voltar a um tópico anterior. Você escreveu “o Edmundo foi para a Copa de 1998 e logo teve os jornalistas (inclusive eu) discutindo sua entrada no time com o Zagallo, pois não agüentavam mais ver o Bebeto jogar tão mal e sempre pôr a culpa nos outros. Mas quando ele entrava conseguia ser pior que o Bebeto.”

    Mas eu me lembro de termos conversando logo após o Mundial e concordado que o Bebeto tinha dado conta do recado até bem demais. Ao que me lembre Roberto Carlos, Júnior Baiano e o próprio Zagallo foram os piores do nosso lado.

    Rubens, não me lembro dessa conversa. E, das três uma, ou eu me expressei mal, ou você entendeu mal ou você me confundiu com outra pessoa. Não acho que Bebeto foi dos piores, mas tampouco dos melhores.
    E ele foi o jogador mais traíra que já vi. Não dava uma entrevista sem culpar alguém por alguma coisa e atrair as glórias para si. E fazia de um jeito dissimulado, do tipo “rapaz, você viu aquele lance? Eu deixei o Ronaldo na cara do gol, livre. Se aquela bola entra… Que pecado!” Qual é a tradução disso? “Eu, Bebeto, fiz uma grande jogada, mas o Ronaldo desperdiçou”.

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