Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

Romário, o fim

Posted by Marcelo Damato em sábado, 2 fevereiro 2008

Desde a aposentadoria de Zico, o futebol brasileiro não perdia um jogador tão importante. Numa era de futebol globalizado, manteve sua fama jogando no Brasil. Talvez por isso tenha se tornado tão importante para o imaginário brasileiro do futebol.

O momento da aposentadoria não será mais grandioso porque Romário foi parando. E poucos jogadores tiveram o final da carreira tantas vezes previsto. O primeiro a fazê-lo foi o próprio Romário, que antes da Copa de 1994, disse que não chegaria aos 30 e que talvez parasse no final daquele ano.

Hoje essa história parece quase fantasia. Do jogador visto como tão irresponsável que havia se desgastado prematuramente, Romário tornou-se um exemplo de longevidade. Outros matuzaléns da bola, Mauro Galvão parou aos 40, Nilton Santos, aos 39 e Djalma Santos, aos 42.

Agora, resta saber como serão seus dias finais, se o STJD vai permitir que ele se despeça em campo e não suspenso. E, principalmente o que fará depois. Se esse negócio de ser técnico é para valer.

Vamos sentir saudades. Aliás, já estamos.

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5 Respostas to “Romário, o fim”

  1. JoaoBittar said

    Ja vai Tarde…
    Romario pra mim eh como o RobertoCarlos, o cantor.
    Demorei 200 anos pra admitir que o cara eh realmente bom. Assim como o Rei RC, Romario eh o melhor naquilo que faz, no caso jogar na area e fazer gol.
    De qq. maneira, mesmo admirando, nunca quis comprar seu disco nem vi o show de fim-de-ano.
    Tambem vejo semelhanca entre os dois tb. no fato de serem oficialistas e sempre posarem ao lado do poder, mesmo “sem precisar” ( Maradona nesse caso eh sua antitese, faz questao de ser do contra ) e as amizades de Romario com Eurico, Ricardo Teixeira etc. me dizem isso. Marcante aquele episodio da entrega da Copa de 94, com Dunga e Romario mais preocupados em xingar e “tripudiar” sobre os jornalistas de “oposicao”, que diziam que aquela era uma selecao meia boca ( e era mesmo ) do que comemorar o titulo ganho nos penaltis de uma selecao 1/3 de boca como a Italia94.
    Romario nessa longa e chata despedida, “ta queimando o filme” com a torcida vascaina. Antes idolatrado por unanimidade, hoje , com essa coisa de tecnico-jogador e esse verdadeiro esculacho de atleta que joga na hora que quer e soh onde quer, encheu o saco da massa cruzmaltina. Uns relevam, outros nem tanto, mas nao existe mais aquilo de unanimidade cega.
    Paixao eh cega mas nao otaria ou necessariamente burra e masoquista.
    O nome de Juninho Pernambucano eh que tah no hino de estadio, que o coral vascaino vem cantando desde o ano passado reverenciando o clube daquela particular ( na verdade a cruz do distintivo eh a Cruz de Patea ) Cruz de Malta.
    Enfim, Romario ( se for mesmo ) jah vai tarde, no sentido que esse fim de carreira interminavel lentamente vai ofuscando as muitas glorias e muitos gols desse genio do futebol brasileiro.

  2. Lucas Camargo said

    Que pena! Com Romário vai-se o último jogador de futebol. Restam apenas os atletas que jogam futebol. Mesmo os craques, como R Gaúcho, são atletas que jogam futebol. Romário é o ultimo jogador genial. Eu gostaria que não fosse o ultimo gênio, mas olhando para o que temos hoje no futebol, fica difícil ser esperançoso. E tem gente que acha que ele não foi gênio. Pois eu acho que foi… O que mais me admira no Romário é a irritante simplicidade com que ele faz (fazia) gols! O toque simples, de precisão mortal, que produziu os gols que ele marcou no Vasco e no Barcelona ou os que ele marcou pela seleção e que permitiram a ida do Brasil à Copa de 94… Os que ele marcou em tal Copa e que nos trouxeram o tetra… Os que ele marcou depois pelo Flamengo… O fato de ter marcado da ordem de 1.000 gols na carreira… E uma carreira produtiva, dos 18 aos 40 anos! … Sei lá… Vai ver, gênio não pode dizer o que bem entende… Gênio trata bem a imprensa… Gênio não é mulherengo! Gênio em hipótese alguma é sacana com o torcedor do time rival!… Gênio tem que treinar… Gênio não pode ter amizades “duvidosas”(hehehe). Vai ver, gênio tem que ser “politicamente correto…”. Pois eu acho que ele foi gênio sim…Com seus erros muito humanos, foi um gênio na pequena área. O gênio da simplicidade. Que pena que acabou.

    Concordo, Lucas. Com todos os seus defeitos (que não os têm), Romário vai deixar um buraco. Que não será tão grande porque ele foi se afastando aos poucos e as pessoas foram se preparando para o seu fim.

  3. Betão da Cruz de Malta said

    Romário vai fazer falta, concordo com vc Marcelo. Valeu Romário!!
    Um jogo em particular dele: a “Virada do Século” diante do Palmeiras, naquele 4 a 3. Jogo inesquecível!!! Um campeonato dele? A copa de 94.

    Aquela virada foi demais, Betão.

  4. Eduardo said

    Marcelo, aquela brincadeira de torcedor, “Não vi Pelé, mas vi fulano”, é fichinha para o Romário, porque em mais de 20 anos de carreira, não há quem não o viu jogar, bisavô, avô, pai, filho, neto…

    Acho que depois dele, o Ronaldo poderia ser esse jogador importante que se aposenta e todos sentem falta e não se conformam, mas como ele mal jogou por aqui, será lembrado rapidamente, como o herói de uma Copa. Dificilmente teremos um jogador que todos nós brasileiros gostamos, como foi o Zico e o Pelé, porque todos vão embora rapidamente, nem nos clubes temos um jogador assim, o que dirá alguém que cause comoção nacional. O Zico foi ídolo do Flamengo, mas tinha um carinho imenso do torcedor que o acompanhava na Seleção e a sua presença em nossos campos o tornou mais próximo dos torcedores. Hoje em dia, é impossível isso acontecer, vemos o Ronaldinho jogar aqui talvez 1 vez por ano, o Kaká é mais milanês do que paulistano, duvido que ele volte um dia.
    Mas quando o Rogério Ceni se aposentar, pode apostar Marcelo, que haverá mais viúva dele no Morumbi do que houve de viúva do Pelé, esse vai causar comoção. Se até hoje ainda existe as viúvas do Raí por lá, é comum nós torcedores são paulinos, dizermos que falta um 10 no time, falta um Raí, até hoje não achamos um meia que nos sossegue, sempre temos que procurar pêlo em ovo, imagine quando o Rogério Ceni parar! Não quero nem pensar nisso!

    Você tem razão que o Rogério deixará muitas viúvas, Eduardo. Mas certamente o Pelé teve muito mais. O Pelé não foi só o craque de um time. Foi o craque de um país e até de um mundo inteiro.
    Se vendo de hoje isso parece difícil de imaginar, pense o seguinte: o Pelé parou há 33 anos. Um garoto para se apegar mesmo a um jogador (e não apenas ao time) precisa de alguns anos de futebol. Precisa ter uns 11 anos, no mínimo. Somando 33 + 11 dá 44. Assim só pode ser viúva do Pelé quem tem ao menos 44 anos. As pessoas nessa faixa de idade já se interessam menos por futebol, como mostram as pesquisas. Mais: o Pelé jogou pelo Santos, um time com uma torcida não tão grande. E ainda se encontra viúva do Pelé com alguma frequencia. Pense nisso tudo e você pode imaginar o que foi o Pelé parando. O país parou. Acho que todas as TVs do Brasil estavam sintonizadas naquele Santos x Ponte Preta quando o Pelé pegou a bola no meio campo, ajoelhou-se e abriu os braços, como na cruz.
    E, se no Brasil, a figura do “Edson” apagou um pouco a mística do Pelé, nos outros países, não. Há muitas pessoas que o idolatram até hoje. Uma vez o Pelé levou a filha a Los Angeles para ver um festival de filmes, algo assim. Ela queria conhecer o Nick Nolte. O ator, quando viu, o Pelé, se ajoelhou e beijou seu pés. Isso já foi nos anos 90, fazia uns 15 anos que ele tinha parado de jogar nos EUA.

  5. Eduardo said

    Ah sim, com certeza, nem me passou pela cabeça comparar Rogério Ceni com Pelé. Fiz essa comparação num sentido de exagero, porque ele é o único que ainda deixou viúvas aos montes por aí, é o melhor exemplo para compararmos.
    E também pelo o que você conta, imagino como deve ter sido isso, virar retrato de Andy Warhol, ser agraciado pela Rainha da Inglaterra e com toda essa pompa em cima dele, não ter virado uma pessoa azeda e anti-social, digamos que não é para qualquer cidadão comum.

    Eduardo, cada vez mais eu me convenço que ficar famoso não deixa ninguém azedo. A pessoa já era assim antes, só que fingia simpatia para conquistar um espaço. Quando não depende mais dos outros, mostra sua verdadeira face. O Pelé é uma pessoa supertranquila, gosta de se dar bem com todo mundo, e por isso acaba se metendo nessas cagadas todas. Um pouco, não tudo claro, é ingenuidade.

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