Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

O novo Parque Antarctica

Posted by Marcelo Damato em sábado, 23 fevereiro 2008

O Palmeiras volta a jogar hoje em seu estádio. O adversário não poderia ser melhor, o Rio Preto o último colocado (e olhando de outro modo, não poderia ser pior, é o lanterna, mas venceu os dois últimos jogos).

Reformaram os vestiários, criaram armários personalizados, como na Europa. Usaram até a imagem do Evair para inspirar (ou assustar) os atacantes do time.

Mas a principal mudança foi no gramado. Substituíram a velha grama São Carlos, usada desde os anos 70 (em substituição à Batatais) pela Bermuda, mais fina, que supostamente permite que a bola corra mais. De quebra aumentaram o campo para 110 m x 75 m, o que o torna o maior campo do Brasil e um dos maiores do mundo (na maioria dos estádios das principais ligas européias, a dimensão é a usada em jogos internacionais: 105 x 68).

O campo vinha sendo culpado há décadas pelos fracassos do time no Parque Antarctica. O engraçado é que nas épocas em o Palmeiras chegou a ficar quase um ano invicto em casa, ninguém reclamava da grama.

O curioso é que, de toda a reforma, a única parte que apresenta defeitos evidentes é justamente a grama.

Por fim, uma pergunta: qual é a motivação dessa moda nova voltar a chamar o estádio de Palestra Itália, enterrando o nome popular Parque Antarctica – um caso tão antigo de uso de nome de empresa no estádio que pouca gente se dá conta? É um “rissorgimento” do espírito italiano, algo despropositado dado que a maioria da torcida não tem essa ascendência, ou uma jogada de marketing – “limpar” o nome para facilitar sua venda posterior?

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13 Respostas to “O novo Parque Antarctica”

  1. JoaoBittar said

    Marcelo,

    Sao as famosas Lendas e Misterios do Maravilhoso Mundo do Marketing esportivo Italo/Tupiniquim. Parece estrutura tematica de samba enredo do carnaval de Veneza hehehe…

    Desde o Parque Antarctica original ( uma tentativa de instituir um “Biergarten” da cia. cervejeira de origem alema no comeco do seculo 20 em SaoPaulo ) ateh os tempos Ambev, fica dificl mesmo entender por que o estadio nao eh patrocinado pela cerveja. Tinha tudo a ver. Sua tese de “limpar” o nome tradicional, neste caso, parece a mais provavel.
    Fora o tamanho do campo (que deve ser alguma coisa Luxemburguiana ) achei interessantes as mudancas que vc. relatou no post. Mudar, tentando preservar a tradicao, eh bem bacana.

    João, a idéia de aumentar o campo não é nova. E até, há alguns anos, o campo foi alargado em dois metros, o que me pareceu algo completamente inócuo – como as linhas têm quatro jogador, significa que cada marcador, que tinha uns 17 m de terreno para vigiar terá mais meros 50 cm. A mesma coisa se passa com a grama. O Felipão já tinha reclamado muito e a troca pelo tipo Bermuda foi decidida ainda na época de Caio Jr.

  2. Geraldo c araujo said

    Não quero dar lições de História, mas a origem da mudança do nome do estádio Pallestra Italia – como de resto do nome de tudo que fazia referência à Itália – remonta ao tempo da 2ª Guerra e ao movimento antifascista daqueles anos. Como Mussolini, Hitler e a própria 2ª Guerra já são história, acho natural que se queira voltar às origens no caso do estádio. Poderiam até ir às últimas conseqüências e restaurar o nome original do clube.

    Geraldo, o nome Parque Antarctica vem antes mesmo da construção do estádio. Em 1902, muito antes da fundação do Palmeiras já havia partidas no Parque da Antarctica Paulista. O local não apenas era palco do futebol, como de diversos esportes e até de corridas de carro (claro que não havia estádio, clube nem nada). Só décadas mais tarde, o local foi doado ao Palmeiras. Além disso, se o motivo para mudar de nome fosse o final da Segunda Guerra, não era preciso esperar 63 anos, não acha? Seria mais ou menos como voltar a chamar Florianópolis outra vez de Ilha do Desterro, alegando que Floriano Peixoto morreu (como imagino que a razão da mudança do nome seja de conhecimento público, não vou explicá-la).

  3. Rubens Leme said

    Chamar o time de Palestra Itália novamente seria lindo. Eu prefiro mesmo o nome Palestra Itália ao estádio.

    E o Palmeiras ficou quase dois anos invictos no Parque na década de 80 para 90. Acho que foram 52 jogos que acabaram numa derrota pro Bahia.

    Ah, Evair. que saudades. Mas você não concorda nisso comigo, né, Marcelo?

    Saudades, eu não tenho mesmo, Rubens. Mas que preferia ver o Palmeiras da Parmalat jogar a esse time atual, preferia e muito. Você não acredita, mas eu não torço pelo mal dos meus adversários. Prefiro que o Corinthians seja campeão ganhando de gigantes, não de anões. Logo tenho que torcer para que os adversários estejam sempre bem.

  4. Paulo said

    Tbm prefiro Palestra Itália.

  5. Rubens Leme said

    Quem não preferia ver aquele time? De todos os times da Parmalat, tenho especial predileção pelo do bi paulista com César Sampaio, Mazinho, Rincón e Zinho; Edmundo (Edílson) e Evair.

    Rincón fez um excelente campeonato. Prefiro esse ao de 96, de gosto amargo quando Muller foi embora às vésperas da final da Copa do Brasil e com Rivaldo machucado, jogando no sacrifício. Aquele time perdeu o encanto nas semi da Copa do Brasil quando perdeu pro Grêmio, em PoA, por 2 a1 e só passou à final pq o juiz anulou de forma errada um gol de Jardel. De cabeça, como sempre.

    Os time do Vanderlei sempre foram mais equilibrados que os do Felipão. É indiscutível para mim que Luxemburgo monta times vistosos, enquanto Scolari equipes mais aguerridas e valentes.

    Concordo contigo, Rubens, mas acho que há outra questão importante. Os times do Felipão jogavam por ele. Era um técnico muito querido e você seus ex-jogadores elogiando-o sempre. Isso não ocorre com o Luxemburgo. Um diretor do Palmeiras, que agora está de volta, me disse que após a final do Brasileiro de 1994, Luxemburgo não foi cumprimentado por nenhum jogador no vestiário, tal era o desgaste.

  6. JoaoBittar said

    Perfeita a sua analise Rubens, mas soh ateh o Vanderlei ir pra Selecao. De lah pra cah seus times nao jogam futebol tao vistoso como vc. disse. Pensando bem, time vistoso como aquele do Palmeiras-Parmalat-Luxemburgo, eh dificil na carreira do Luxa e de qualquer outro tecnico. Nao serah facil acontecer outra vez, pois as circusntancias eram muito especiais.

    João, está esquecendo o Cruzeiro de 2003, que com um elenco muito pior do que o Palmeiras Parmalat jogava bonito também, embora não tanto.

  7. Rubens Leme said

    João, o Cruzeiro era um time vistoso e só não foi mais até o final do Brasileiro porque, assim como o Corinthians, sofreu considerável desmanche. O bicampeonato santista foi conquistado com dois times que tinha pontos fortes no seu meio-de-campo. Vanderlei sempre prefere começar a arrumação pelo meio. No geral, os times do Vanderlei jogam bola. E bem.

  8. Rubens Leme said

    Sim, Felipão fazia aquela família. Mas eu me lembro que alguns jogadores tb não iam com a cara do Felipão. Cléber, Zinho e Evair eram exemplos disso.

    Mas o Luxemburgo atrita muito. Você se lembra que ele culpou explicitamente Velloso e Amaral após a derrota pro Cruzeiro na final da Copa do Brasil? “Nós perdemos exclusivamente por dois erros individuais”.

    Zezé Perrela tb falou que Luxemburgo era um pé no saco que ao final do Brasileiro ninguém mais o suportava.

    É isso, Rubens. Ele nunca consegue ficar muito tempo no mesmo lugar. Para começar, é completamente paranóico. Lembra aquele episódio em que ele pôs câmeras na concentração do Santos para ficar vigiando os jogadores?

  9. Rubens Leme said

    Existe uma história curiosa sobre Felipão que presenciei… no primeiro semestre de 98 as coisas ficaram quentes para ele, após a agressão ao repórter Gilvan Ribeiro e a falta de bons resultados. Depois de ser goleado por 4×1 pelo Mogi Mirim, em casa, Felipão levou o elenco pro vestiário para dar aquela bronca. Era a época do time “mandioca” (todo mundo ficava plantado em campo, segundo ele) e após 40 minutos ele saiu quieto, meio assustado. Após ter saído, Cléber veio todo malandro dizendo “quem fala o que não deve ouve o que não quer…”

    Segundo consta, o troco de Scolari veio meses depois. Zagallo ligou para ele, pois pretendia convocar o Cléber para a Copa da França e queria saber as condições dele e também do Zinho. Pois, Felipão queimou feio o zagueiro – havia uma fofoca que ele ficava toda as noites fora na casa de uma amante – e Cléber ficou fora do Mundial.

    Mas o número de adeptos ao Felipão no elenco era imenso: Paulo Nunes, Arce, Alex, Galeano, Oseas, Júnior, Marcos, Jr. Baiano, Roque…

    Essa história eu não conhecia, Rubens. É muito curiosa. E de fato o Cléber poderia ter ido pelo menos no lugar do André Cruz.

  10. Rubens Leme said

    Exatamente. André Cruz foi no lugar dele.

  11. Rubens Leme said

    Impressionante como jogar no Palestra lotado dá medo no time. Luxemburgo não consegue dar uma cara pro time e perder 4 pontos pros lanternas foi fatal para nos tirar das finais pelo segundo ano consecutivo.

    O tal 3-5-2 mesclado de 4-4-2 não funcionou e a equipe perdeu um saco de gols. Desesperado tira Pierre e Diego Souza para colocar Lenny e… aquilo… O time vai prum 4-3-3 desesperado, faz 1×0 com Valdívia numa luta desesperada e toma o empate num lance besta, como sempre…

    PS: sou o Pai-Rubão… no exato momento em que escrevo isto, Valdívia abre o placar. Mas aposto que acaba 1×1. São 22:08!

    Às 22:14, o Rio Preto empata, com Xandão… vou postar isso antes de acabar o jogo. Se tiver um segundo gol, faça um outro post e me aposento da carreira de vidente.

    Agora são 22:16 no meu relógio….

    Isso está parecendo Jogos Mortais, pai Rubão. É um terror atrás do outro…

  12. Rubens Leme said

    Infelizmente, acertei. Agora, só comento Palmeiras na Copa do Brasil. Alguém devia chamar o Capitão Nascimento pra conversar com o Martinez: “pede pra sair, pede pra sair!”

    Anta.

    FUI!

  13. Rica said

    E não é que o palmeiras conseguiu um empate no Palestra.

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