Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

A bomba de Criciúma

Posted by Marcelo Damato em segunda-feira, 25 fevereiro 2008

Mesmo avisado no domingo (24) pelo leitor Mario Henrique, não quis postar na hora a história do torcedor do Criciúma que havia perdido a mão em razão da explosão de uma bomba caseira na partida contra o Avaí, no mesmo dia na capital do carvão.

A primeira notícia era que a bomba havia sido jogada pela torcida do Avaí e que Ivo Costa não conseguira se desviar a tempo. A informação não me convenceu.

Ninguém perde todos os dedos da mão e um pedaço da própria se não estiver segurando a bomba. Se ele estava segurando-a, possivelmente estaria atirando-a também. Mas tampouco faz sentido haver um hooligan de 63 anos – e que pela foto parece bem mais. Algo não se encaixava.

Agora a história fechou. Quando viu o objeto atirado da torcida do Avaí, Costa pegou-o para afastá-lo – segundo disse. Mas antes que conseguisse, a bomba explodiu.

Costa afirma que não tinha certeza do que se tratava, mas se tentou afastá-la deve ter cogitado ser algo perigoso. O torcedor recebeu os primeiros socorros na própria arquibancada e depois foi levado ao hospital onde teve a mão amputada.

É claro que nada disso é o mais importante. O principal é pegar a pessoa que atirou a bomba e puni-la com o rigor da lei.

E o caso não terminou por aí. Após a explosão, as torcidas se conflagraram. A polícia retirou a torcida do avaí do estádio e a escoltou para fora da cidade, enquanto tentava segurar os torcedores do Criciúma.  Esses avançaram sobre a polícia, que reagiu com tiros de balas de borracha. Cinco torcedores foram baleados, alguns na cabeça ou na coluna.

14 Respostas to “A bomba de Criciúma”

  1. MH said

    Tem coisas ruins no Brasil que só acontecem com o Futebol. E tem coisas ruins que também acontecem com o futebol. A violência é uma delas. O triste é ver que o ódio sobressai à paixão, que a agressividade é maior que os festejos, que para eu “torcer” para um, devo “destruir” o outro.
    Falta educação e punição.
    Falta civilidade e cidadania.
    Falta saber ganhar e saber perder.
    Que legal que existe esse blog!

    É isso aí, Mario. A violência é um problema, não uma tragédia. Problemas têm solução. Nós não podemos perder o futebol para ela.

  2. Maurício Souza said

    Marcelo, não que faça alguma diferença, mas o Lance! disse que a idade do senhor é de 73, e não 63 anos. A foto que está lá é impressionante, estou chocado.
    Por essas e por outras que assisto às partidas do meu time no conforto do meu sofá.

    Maurício, o jornal de Criciúma dá a idade dele como 63, por isso usei essa idade. O que me impressiona na história, além da barbárie, claro, é como alguém com tanta vivência agarra algo que ele mesmo sabia que podia ser perigoso. É claro que a culpa não é dele, mas o sujeito foi muito ingênuo.

  3. Lucas Dantas said

    Marcelo, sei que você está há anos no futebol, acompanho suas colunas faz tempo e acredito que você já deve ter ouvido, lido e visto todo o tipo de comentário “até quando?” a respeito da violência entre as torcidas. temo que até nunca seja a resposta. Não adianta implorarmos pel’aplicação do modelo inglês aqui no Congo, visto que o exemplo tem que vir de cima. O povo mais instruído se mata e se enfrenta tal qual a “ralé”. O que mudam são as armas, só isso. Em cima são usadas as palavras e a política. Embaixo, as pauladas e a polícia.

    É triste, mas eu só vou ao estádio dependendo do jogo. E, ainda assim, cheio de precauções e cuidados.

    Lucas, a violência é algo com a qual ninguém deve se acostumar. Não podemos perder nossa condição humana. Temos que combater a violência, sem desanimar.
    E o combate à violência se faz nas pequenas coisas, no dia a dia. Cada um deve fazer a sua parte. No meu blog, por exemplo, não se pode ofender nem agredir ninguém, nem aquela que pareça ser a pior das pessoas. Se cada tomar atitudes como repudiar frases bonitinhas, mas monstruosas como “O futebol não é uma questão de vida ou morte, é mais do que isso”, se cada um enfrentar até seus próprios amigos quando eles praticam atos violentos, isso vai acabar.
    Não há nada no futebol que não se possa tolerar, fora a violência, corrupção e a própria intolerância. O futebol como seita é uma praga, só vale a pena se for uma paixão. E paixão tem a ver com amor, não com violência. Este blog até hoje, por ação minha e de todos os comentaristas, tem sido posto a salvo da baixaria e da violência verbal. E isso nunca vai mudar, pode ter certeza.

  4. gonz said

    e mais um ponto pra humanidade!

  5. hugo said

    Nossa, tava aqui pensando se esse seria um comentário cruel ou não, mas agora me sinto liberado pelo Marcelo, hehe: o que eu mais estranhei na história toda foi a inocência do cidadão, mesmo. Se parecia perigoso e não dava pra correr, ele deveria era ter chutado o objeto suspeito! Mesmo que não desse tempo pra pensar, por reflexo que fosse… Agora, abaixar e pegar…

  6. Felipe Bohrer said

    Me impressionou muito esta história. Em 2005 estive em Florianópolis e fui na Ressacada ver um Avaí x Figueirense. Fiquei na torcida do Avaí, e comentei impressionado com amigos de lá, que apesar da rivalidade, o clima de civilidadde imperava. As duas torcidas saíram lado a lado, pelo mesmo portão havendo gozação, mas não vi uma mão se levantando, um empurrão que fosse. Comentei isso com muita gente aqui no Rio. Parecia um oásis frente aos problemas que costumamos ver em todo o país. Infelizmente esta notícia prova que estava mais para miragem do que para oásis o que eu presenciei.
    Isto é coisa de terrorista, de bandido. não dá nem pra chamar de torcedor.

    Agora, como entra uma bomba dessas dentro do estádio?

  7. Gerson Ritter said

    Marcelo, hugo,
    Vocês pegaram pesado com a vítima. Nenhum de nós estava lá para, na hora, em alguns segundos, decidir o que fazer. Posso pensar em ‘n’ situações em que talvez eu também pegasse a tal bomba. E se ela tivesse caído perto de uma criança? Ou no colo da vítima? Ou se a vítima tivesse achado que o objeto oferecia risco de morte? etc, etc. É uma situação em que a decisão é muito difícil.
    O principal agora é encontrar o culpado e processá-lo por, sei lá, talvez tentativa de homicídio. Além disso, reforçar a segurança dos estádios para que um objeto deste não possa entrar. Na verdade, o simples fato de alguém ser apanhado tentando entrar com uma bomba num estádio (ou qualquer outro lugar) já é motivo suficiente para alguns anos de cadeia.

  8. Um ponto é básico: tem que haver prevenção, tem que haver revista de toda e qualquer pessoa.

    Outro ponto, esse, infelizmente, utópico: tem que haver punição.

    Não há.
    Não haverá.
    Não tão cedo, pelo menos.

    Num país em que bandidos controlam o tráfico de dentro das cadeias.
    Em que um assassino covarde e condenado, mas bem de vida e de advogado, vive em liberdade, vivendo bem, um entre incontáveis.
    Em que vagabundos eleitos locupletam-se desavergonhadamente e não são presos, são reeleitos.
    Em que propriedades produtivas são invadidas por vagabundos idiotamente ideologizados e fica tudo por isso mesmo.
    Num país em que o esgoto chega às portas do supremo comandante e nada acontece com ninguém…

    Realmente, nada vai acontecer.

    A única coisa possível é fazer como a PM paulista: coloca os soldados na entrada e revista.

    Ah, é verdade, esqueci: esses “povos” organizados, todos eles, gozam de especiais benesses dos poderes, todos eles.

  9. filipe aurelio said

    AVAI a vergonha do estado
    toca fogo no scarpeli
    matam torcedor do joinville com uma pedra
    e agora mais esse
    é lamentavel! na cidade so se ouve falar disso
    meu, a coisa e seria
    revistaram os torcedores do criciuma. Uma criança fez uma bandeirinha e os pm arrancaram o cabo da bandeira do coitado do guri
    e na torcida do avaí nem sequer revistaram
    e fica ai minha indignação
    ah! tem mais uma! eles tao há 10 anos sem um titulo e nois não. E vão ficar mais ainda
    abraços

    Caro Filipe. Seja bem-vindo ao blog. Que bom ter comentadoristas barriga-verdes. E me responda uma coisa: Quando o Avaí tocou fogo no Scarpelli? Como é que foi?

  10. filipe aurelio said

    obrigado… bah li uma materia outro dia falando de torcidas organizadas e vi isso depois de um jogo contra o figuera inconformados com mais uma derrota eles acabaram tocando fogo em badeiras algo do tipo e a confusao pegou como sempre
    mas uma vez nao sei se vc sabe depois do jogo contra o joinville o onibus da torcida do jec indo em bora na estrada jogarão uma pedra
    que veio a levar a morte de um rapaz de 17 anos…

  11. nelson jr Uberlândia said

    Marcelo o correto seria: Criciúma que é uma bomba….

  12. hugo said

    É verdade, Gerson. Se ela tiver caído no colo dele, pode ser. Aposto que vão tirar sarro, mas, segundo Mark Twain, quando um objeto cai no colo de um homem ele tende a fechar as pernas (enquanto as mulheres as abrem). Numa situação dessas, principalmente se havia fumaça ou algum estopim acesso (era uma bomba caseira, né?), consigo imaginar que, no pânico, ele pudesse ter segurado a bomba.

    (como devem ter percebido, acho muito divertido discutir a fundo essas futilidades, hehe)

  13. mh said

    Matéria de “A Notícia”, sobre o fato. Um débil mental está preso.

    O futebol catarinense perdeu a admiração de um torcedor que acompanha o esporte desde criança. Não pela decepção com o time do coração, o Criciúma, mas por ter sido vítima de um ato covarde cometido por um torcedor com perfil diferente daquele que Ivo Costa, 62 anos, estava acostumado a ver. Internado no Hospital São José, o aposentado teve a mão direita amputada após ser atingido por uma bomba caseira em plena arquibancada.
    Até ontem, Ivo Costa se considerava um freqüentador assíduo do Estádio Heriberto Hülse, sempre vestido com a camisa tricolor. O aposentado acompanha o Criciúma desde a fundação. Viu o clube surgir e crescer, mas já era apaixonado quando ainda se chamava Comerciário.
    Nessa época, lembra Ivo – internado em uma cama de um quarto semiprivativo do Hospital São José –, imperavam a paz e o amor nos estádios. Hoje, a mudança no comportamento do torcedor é gritante, diferença que ele sentiu na pele:
    “O torcedor não deve ir armado aos estádios. Não deve agredir aos outros. Agora, só vou freqüentar a igreja, para agradecer por ter saído vivo e onde tenho certeza que é seguro”, resume, decepcionado.
    A perda da mão significa a perda da força de Ivo, ou Periquito, como é conhecido no bairro Brasília, onde reside. Debilitado em conseqüência de uma paralisia parcial das pernas, o aposentado usava a mão direita para se apoiar na bengala e subir as arquibancadas do estádio, para onde costumava ir sozinho.
    A mesma falta de agilidade que obrigou Ivo a buscar um local isolado na arquibancada provocou a ação instintiva de afastar com a mão o artefato arremessado às suas costas. “Não conheço o torcedor que fez isso, mas a raiva não leva a nada. Quero que Deus tenha piedade dele. As autoridades vão puni-lo”, diz.
    No final da tarde de ontem, Ivo Costa recebeu a visita dos jogadores Claudio Luiz e Silvio Criciúma e do diretor-presidente, Edson Búrigo. Eles levaram camisetas, uma carteira de sócio de cadeira e garantiram a transferência do aposentado para um quarto privativo do hospital.
    “Fui para ver uma partida de futebol e quase busquei a morte. Lamento, mas não vou mais ao campo”, diz o aposentado, que também sofreu queimaduras nas costas e deve permanecer internado no hospital pelos próximos cinco dias.

  14. filipe aurelio said

    bah a indenização qe lhe deram foi de 18 mil e mais uma cadeira numerada para o resto de sua vida poder assistir o jogo mais sossegado
    po mais pro resto da vida estara sem mão
    ja prenderão dois suspeitos um disse que entrou no estadio com a bomba na cueca e la passou para outra pessoa e essa pessoa foi indentificada e foi presa no quartel pois e
    ele era milico. foi preso e vai ter que vim depor em criciuma a federação proibiu de torcida visitante ingressar nos estadio e loucuras por santa catarina

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