Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

Leandro Amaral e os cubanos

Posted by Marcelo Damato em sexta-feira, 14 março 2008

No recente episódio da fuga dos jogadores de futebol cubanos, um dirigente esportivo daquela seleção disse que faltou ética aos jogadores desertores.

Aí eu me lembrei do caso do Leandro Amaral. Cuba, ao contrário do Vasco, pode dizer que realmente investiu naqueles jogadores. Eles foram treinados desde crianças. Se o governo não tivesse dado a chance para que virassem atletas, certamente iriam ser muito pobres como a maioria da população.

Eles tinham contrato (seja qual for o tipo) em vigor com o governo cubano. Fugiram em busca de de uma vida melhor.

Eles são mercenários?  E Leandro Amaral, que estava no Vasco havia 15 meses e não 15 anos?

23 Respostas to “Leandro Amaral e os cubanos”

  1. EmersonF said

    São casos diferentes, Marcelo. Cuba dá uma estrutura de estudos e preparação para prática de esportes que tem poucos similares no mundo. Mas o processo revolucionário cubano ocorreu há quase 50 anos. Estes meninos que desertaram nasceram há pouco mais de 20. É difícil manter o apoio a um sistema durante tantos anos. E os jovens ainda ainda têm o sonho vendido pelo mundo capitalista, que passa a idéia de uma vida de oportunidades e liberdade. Fidel, que cumpriu um importantíssimo papel na história, permaneceu tempo demais no poder. Se desgastou. É claro que deve haver naquela garotada o sonho de viver outra realidade. E de viver em um país que não seja torturado por um bloqueio econômico que dura mais de quatro décadas.
    O caso do Leandro é daqueles em que é difícil escolher qualquer uma das partes.

    Emerson, se os garotos que desfrutaram de um privilégio imenso têm o direito de escolher seu próprio futuro, por que Leandro, que cumpriu seu contrato (um contrato no qual, repito, o Vasco teve enormes vantagens porque pagou muito menos do que pagaria a qualquer atacante titular) não tem o direito de escolher o seu futuro? Repito que não estou discutindo a questão jurídica. Se a Justiça mandar Leandro ficar, que fique. Estou discutindo a questão moral. Se o contrato chegou ao final, Leandro como qualquer jogador sem contrato tem o direito de ir aonde quiser. Se na relação entre os cubanos e o governo, a questão ética não é o mais importante, no caso do Leandro ela é zero. Leandro cumpriu seu contrato (de novo, sem entrar no mérito se o novo é válido ou não) e portanto sua obrigação. E cumpriu muito bem, diga-se. Se o Corinthians, que cuidou do Nilmar em duas contusões por mais de um ano, não fala em gratidão, por que o Vasco tem esse direito?

  2. Gerson Ritter said

    Li no jornal hoje que o povo cubano agora poderá comprar DVD’s e computadores. Daqui a alguns anos talvez eles entrem no século XXI. A expressão “desertores” me faz lembrar a década de 70. Entre a “falta de ética” e a liberdade de buscar uma vida melhor, fico com esta.

    Eu também fico, Gérson. Fico com os cubanos e com o Leandro Amaral também. Cada um tem o direito de cuidar do seu nariz. E bem-vindo de volta. Andaste sumido!

  3. JOSE said

    nos dois casos só irresponsabilidade. Mais sério o de Leandro Amaral.

    Discordo das duas afirmações, José. Em ambos os casos prevalece o direito à liberdade. As pessoas não são escravas. Mais ainda no caso do Leandro. Se o contrato acabou, tem o direito de ir aonde quiser.

  4. Lucas Camargo said

    Coisa engraçada…Vc quer dizer q o Leandro Amaral NÃO foi mercenário….Mas a sua pergunta final no post dá a impressão que ele foi.

    Quanto à sua comparação….

    (1) Tb não acho que o Leandro Amaral foi mercenário…Foi – ou tentou ser – profissional. Pena que o contrato assinado dizia que ele tinha que se acertar com o Vasco. Por isso agora vai ter q conversar com o Eurico (arghhh!). É a vida, acho eu. Tem que acatar a justiça, enquanto a legislação não muda e considera o contrato leonino.

    (2) Quanto aos cubanos…aí eu fico meio sem jeito, mas discordo, se vc os considera mercenários. Isso parece com o pai que cobra do filho o fato de lhe ter dado a vida…Eu acho que isso não é cobrança que se faça…

    Mais uma vez…Talvez eu não tenha entendido bem o que vc quis dizer, mas não acho que cubanos e/ou Leandro Amaral foram mercenários…
    SRN

    Eu concordo 100% contigo, Lucas. Também não culpo nenhum dos atletas. Com o post quis mostrar que a condenação moral do Leandro Amaral por buscar outro clube fica sem sentido quando se compara a esse caso dos cubanos. É claro que a questão da validade do novo contrato é fundamental, mas essa é uma questão legal, não moral. O meu ponto é que a disputa deve ser colocada fora do plano moral.

  5. Flavio said

    Casos totalmente diferentes. Os garotos tiveram a formação paga pelo governo, mas não havia outra opção; Cuba é uma ditadura comunista, logo falar em obrigação de gratidão pelo governo ter pago algo é um contra-senso; é obrigação do governo pagar porque eles não dão opção nenhuma ao seu povo. Eles não são mais ingratos do que o brasileiro que não mostra “gratidão” pela Petrobras extrair o petróleo que ele usa no carro dele.

    Sem contar que investindo neles ou não, Cuba é uma ditadura; por qualquer motivo que seja, eles estão fugindo de um regime opressivo que pode condená-los à morte por mostrar qualquer sinal de “ingratidão”.

    Mas mesmo no caso do Leandro Amaral, não vejo ingratidão. Ele foi profissional e cumpriu o contrato, depois teve problemas com o Eurico, como dezenas de outros atletas, e quis sair.

    Concordamos 100% nisso, Flávio. Meu ponto é que fica mais fácil ver que no caso do Leandro não há ingratidão quando se vê o caso dos cubanos. O argumento moral só é usado por quem vê o atleta (filho, empregado) ir embora. Não por todos, claro.

  6. Flavio said

    Só pra acrescentar que eu sei que o Leandro Amaral não é bobo nessa história; com um pouco mais de incentivo$, os problemas com o Eurico teriam sido esquecidos…

  7. Esse tema rendeu algumas discussões e algumas acusações a esse pobre escriba.

    Os jogadores cubanos em nada afetaram a ética,qualquer que seja ela.
    Sim, mesmo nas prisões há uma ética, por sinal mais respeitada que no mundo fora das grades, mas Cuba é outro tipo de prisão.
    Buscar a liberdade é um direito inalienável de todo ser humano.
    Foi isso que os atletas cubanos fizeram na Flórida.
    Foi o que fizeram no Brasil, onde a Polícia Federal, valendo-se de uma tecnicalidade jurídica, em ação típica de governos ditatoriais (não o somos), entregou dois jovens a agentes de segurança cubanos que para cá vieram em vôo exclusivo para isso. Jogaram no lixo, o governo Lulla da Silva e sua polícia, quase dois séculos de tradição na história da concessão de asilo político.
    Foi vergonhoso.
    Por favor, não misturem a ética ligada ao cumprimento de um contrato com a fuga dos cubanos em busca de liberdade.

    Quanto ao “embargo econômico”…
    Cuba nunca esteve isolada do mundo.
    Mesmo nos momentos de forte pressão americana, México e Canadá nunca deixaram de comerciar com a ilha de Fidel, assim como a maioria dos países latino-americanos. A exceção ficou por conta do Chile de Pinochet e mais dois ou três países pequenos com peso zero no comércio mundial.

    Emerson, eu também defendo totalmente a saída dos cubanos. Cada um sabe onde põe o nariz. Do mesmo modo, o que a Polícia Federal fez com os cubanos do Pan que aqui desertaram foi um escândalo. Agora, culpar o governo Lula já me parece precipitado, pois, ao menos no que eu saiba, a ordem não partiu de cima.
    Por fim, Cuba sofre de fato embargo econômico. A lei americana proíbe a qualquer empresa americana, no país ou no exterior, que faça negócios com alguma empresa que faça negócios com Cuba. Mas, claro, essa não é a única causa da situação da ilha. Os movimentos de esquerda na América Latina tiveram o grande mérito de forçar os país a deixarem a herança colonial, com o Estado completamente subordinado aos interesses da iniciativa privada e a Justiça e a polícia agindo em nome dessa elite. Mas não souberam ir além disso. Quando os países se modernizaram, o que era avançado virou retrógrado.
    Um economista americano de direita disse certa vez que os governos comunistas eram bons para tirar um país da miséria, mas ruins para dar-lhes prosperidade.

  8. JoaoBittar said

    Ainda que involuntariamente, Eurico se encontrou com Fidel.
    Que dupla hein????
    Provavelmente nada ofenderia tanto a ambos como compara-los entre si….

    Nao vejo ingratidao em nada. Apenas necessidade de mudanca. Contratos leoninos, pactos ditatoriais.

    E tal qual aqueles boxeadores do Pan, devolvidos a Ilha e relegados a serem apenas meros cubanos (um grande castigo )
    LeandroA maral voltarah às masmorras de SaoJanu se os Piratas do Flunimed-RenatoGaucho, ou alguem mais destemido, nao comprar sua alforria.

    Ou se ele conseguir mudar o rumo do processo judicial em Brasília, João. A batalha jurídica ainda não acabou. O Jancarlos, na mesma situação, está vencendo. A maioria dos advogados que consultei dizem acreditar que os dois casos terão a mesma sentença final, para um lado ou para o outro. Assim, Vasco e Atlético-PR colocam-se de um lado e Fluminense e São Paulo, de outro.

  9. Renato de Almeida Verde said

    Marcelo,
    eu li sua resposta ao colega Emerson F. no 1o paragrafo. Na realidade o que não podemos deixar de esclarecer é que o Leandro saiu antes do fim de seu contrato. Segundo o próprio jogador em depoimento ao SPORTV (TÁ NA ÁREA) o 2o ano de contrato do jogador seria conforme cláusula contratual de RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA por mais um ano. Se ele aceitou essa cláusula e ainda por cima assessorado por um advogado infelizmente tem de acatar. Sob o risco de quebra de contrato e suas sanções. Imagine se todos os contratos em vigor fossem quebrados unilateralmente. Então pra contratos? Nào vale o que está escrito e acordado? Agora se o Eurico usou de má fé ou não são outros quinhentos, Até porque o advogado do jogador tem sua parcela de culpa concorda?

    Se o Leandro saiu ou não antes do fim do contrato, Renato, é o que está sendo discutido na Justiça. E esse ponto eu não discuto. Não discuto nem se o Eurico usou de má-fé. Meu ponto, pela centésima vez (acho que o computador está trocando as letras na hora da publicação, hehehe), é que Leandro tem o direito moral de sair, que esse negócio de ingraditão é uma bobagem. Agora, se ele tem o direito legal de sair, eu não sei. Quem vai decidir é a Justiça. Renato, o erro é sempre querer julgar a razão pela conduta moral das pessoas. Uma pessoa pode ser um canalha estar agindo de absoluta má-fé e ter raão. Outra pessoa pode ser a madre Tereza de Calcutá agindo no seu momento mais puro e não ter razão. Eu não faço juízos morais. O que me importa são os fatos, nesse caso o contrato.

  10. Renato de Almeida Verde said

    Marcelo,
    o que não podemos deixar em branco (eu disse Branco?) e para todo mundo saber, é que no fundo no fundo o jogador poderia até sair do Vasco ao fim do 1o ano de contrato, para isso bastava depositar o valor da multa rescisória. O jogador, como qualquer outro ser humano esbugalhou os olhos com a proposta tricolor , sendo q este mui espertamente deixou o jogador se virar com seu ex-clube (Vasco) no imbrólio jurídico. Para todos os efeitos o tricolor agiu de forma “ética” e se esquivoi de pagar a referida multa. Agora que essa diretoria do tricolor é SINISTRA, isso é.

  11. Maurício said

    Com todo respeito esta comparação foi de doer. Mas o que me chama a atenção é o seu zelo pelo Leandro Amaral.

  12. Renato de Almeida Verde said

    Pergunto:
    O jogador LEANDRO AMARAL é burro ou inocente? Ele virou uma ilha. Está sozinho. Flu lavou as mãos, Vasco quer o dele (quiero mieu dinheiroo…como dizia Romerito) e agora? Situação bem difícil. Acho que fizeram uma pegadinha com ele. E o coitado caiu…e feio.

    Por quê pegadinha, Renato? Ele decidiu que queria sair. Entendeu que a renovação do contrato não tinha validade e foi à Justiça. Agora está brigando para provar sua razão. Ele fez o que qualquer um faria, foi atrás do que julgava ser direito dele.

  13. JoaoBittar said

    Lendo os comentarios com vies politico-partidario, me lembrei de uma frase do MinoCarta sobre suas preferencias a respeito de pessoas e carater.
    Ele dizia que preferia falar com ” gente de direita que vai pra esquerda que o ao contrario, pessoas que vem da esquerda para aderir a direita. Sao os piores da direita” assegurava.

  14. Thiago Menezes said

    Todo mundo sabe que o Leandro vai perder na justiça, inclusive ele. Eu acho que o melhor que ele podia fazer seria esquecer o problema. Ele volta a jogar e pronto! Ele mesmo já afirmou que o problema dele é com o Eurico.
    Eurico vai perder as eleições e o Leandro volta pro Vasco e seremos campeões novamente. Alguns vão dizer que ele não tem mais clima, mas já li algumas entrevistas dos jogadores dizendo que querem a volta do Leandro e no caso da torcida, vão parar de pegar no pé quando ele voltar a marcar os gols que está acostumando a fazer.
    Se o Eurico perder as eleições, Marcelo, você acha que o Leandro volta pro Vasco?

    Thiago, eu não tenho essa confiança. O caso nem foi julgado em segunda instância. Já vi muito processo ser invertido no STJ (neste caso seria o TST). Sobre os jogadores, concordo com você. Eles não estão bravos com o Leandro (diria até que a maioria o apoiaria se tivesse coragem para abrir a boca). E os gls apagam qualquer bronca. O diabo é haver as eleições. Se há alguma acusação que não pode ser feita ao Eurico é que ele desiste fácil do que quer.

  15. Curiosa a frase do Mino.
    Sonora e vazia.
    Ou, se não vazia, preconceituosa.

    Concordo contigo, Emerson. Essa foi uma frase que já teve um outro significado na época da ditadura e se referia especificamente às pessoas que trocaram a militância comunista por cargos no governo militar. Muitas dessas pessoas, para provarem serem fiéis aos novos patrões, tornaram anticomunistas ferozes. Mas hoje a situação é completamente diferente.

  16. Alessandro said

    Eu torço para o Leandro e o Nilmar se darem mal , dois ingratos. Ninguém queria esse Leandro, na resposta do Marcelo para o Emerson, o Marcelo disse “contrato vantajoso pro Vasco, que pagou bem menos a um atacante titular do que pagaria a outro”, eu acho que o Vasco pagou o que ele merecia na epoca, acho que foi até muito, um atacante desacreditado, ninguem queria não jogava bem havia anos, não jogou nada nos ultimos anos
    O Vasco acreditou nele, e o cara dá uma dessas, por que o Fluminense não contratou ele na epoca então? Só agora que o Vasco ajudou a recuperar o cara? Tudo bem ele tem direito de ir pra onde quer, mais acho que um pouco de gratidão seria legal. O cara so pensa em dinheiro. O Nilmar foi a mesma coisa. Não existia antes do Glorioso Timão, agora está machucado de novo pra variar. Nossa que bando de ingratos.

    Não concordo, Alessandro, nem no caso do Nilmar. O Vasco já cobrou a “taxa de gratidão” ao dar-lhe um contrato muito mixuruca. O Vasco fez um excelente negócio com o Leandro, lucrou muito com ele, e ainda tem direito a mais? De jeito nenhum. Do mesmo modo o Corinthians. Foi o clube que procurou o Nilmar, não foi o Lyon ou o jogador que foram bater na sua porta. E o Corinthians ainda fez pior do que o Vasco, não honrou o contrato. E é engraçado é que ninguém vê ingratidão do clube a jogador. Por exemplo, o Corinthians está sem dinheiro, contratou jogadores pagando pouco e eles têm que segurar a peruca, tirar o time da Série B e tudo o mais. No ano que vem, se os jogadores forem bem, o clube estará na Série A e os jogadores o que vão ganhar? Provavelmente a reserva, porque com mais dinheiro o clube irá contratar jogadores melhores. Nesse caso, ninguém vai ver ingratidão. Quando não precisa mais do jogador, o clube o deixa desempregado e ele que se vire.
    É por isso, que não gosto desse papo de ingratidão. Para mim, não existe ingratidão nem num caso nem no outro. O que existe é uma relação profissional. Enquanto as duas partes têm interesse mútuo, ficam juntos. Quando uma delas pensar diferente, a relação acaba. Não tem vilão nessas histórias. Assim é como o mundo funciona. É só aplicar isso ao mundo fora do futebol, das empresas e dos empregados.

  17. Renato de Almeida Verde said

    Marcelo,
    meu querido, muita calma nessa hora. Estamos em sintonia, entendi perfeitamente o que você explicou agora. Você anda fazendo faculdade de filosofia? hheheheheh brincadeirinha….hehehehe

    Sou uma pessoa muito calma, Renato. E o que eu disse nada a ter com filosofia. Defendo que a questão seja discutida apenas de uma forma prática, sem juízos morais.

  18. JoaoBittar said

    Como sonora e preconceituosa ?
    mais preonceituoso que escrever lulla ? dificil…

  19. Renato de Almeida Verde said

    Marcelo,
    só tem uma coisa, a justiça nunca julga qualquer questão de forma filosófica e sim os direitos e deveres de quem as procura.

    Claro, Renato, não há filosofia nessa questão.

  20. João, enquanto o Corinthians ataca o coitadinho do moleque da Mooca, que se defende…
    Defendeu.
    Ok, então, de volta à nossa vaca fria: dependendo do tema em pauta, eu escrevo Lula ou lulla. Infelizmente, não é por preconceito, gostaria que fosse e que eu estivesse totalmente errado.
    Mas vira e mexe escrevo Lula, não se preocupe.
    :o)

    Algumas verdades são imutáveis, Marcelo. O Juventus ser o Moleque Travesso é uma dessas verdades.
    Lamento (da boca pra fora) por você. E pelo xará também (e também só da boca pra fora, ou dos dedos pro teclado; agora é torcer para que o Corinthians não marque nesses acréscimos e queime meus dedos).
    hehehehe

    Pode guardar a pomada, Emerson, o jogo terminou 2 a 2. Fazia tempo que o Juventus não aprontava uma para o Corinthians. Aliás, falando em aprontar, na quinta-feira eu voltei do Rio ao lado de um engenheiro de informática. Na juventude, jogou num time de várzea da Mooca e lembrou de quatro parceiros, um goleiro cujo apelido me escapa agora, o lateral Arenghi, o meia Ditão e o atacante Tatá, morador da favela Ordem e Progresso, Vila Prudente (para quem não é de São Paulo, é a maior favela da cidade).
    O goleiro era o Miguel, heroi da maior molecagem que o Juventus aprontou para cima do Corinthians, lá por volta de 1975. O Ditão era o Benedito Assis, que depois ficou conhecido como Assis, jogou no Moleque, São Paulo (?), XV de Piracicaba, Atlético-PR e Fluminense. O Arenghi virou Arenghi mesmo, lateral da Portuguesa e do Juventus, sempre estourado. E o Tatá? Era como ele falava para dizer o próprio nome. A-ta-ta-li-ba, que pouco antes dos 30 trocou o Moleque pelo Corinthians. O avião levou mais de uma hora para decolar. Foi uma conversa memorável.

  21. Nicolas said

    Não conseguimos fazer com que o Moleque Travesso passasse a ter um comportamento melhor.Vamos ter de tentar uma nova abordagem pedagógica,rs.E essa travessura agradou aos adversários…
    O problema esteve nos zagueiros,que subiram para o ataque e deixaram a defesa aberta.Tomara que o Mano proíba os zagueiros de passarem do meio-de-campo,rs.

  22. Grande Ataliba!
    Grande figura.
    Curioso como alguns jogadores nos marcam. O Ataliba é um, o Edu Bala é outro, assim como o “coveiro” Amaral.

    E o Assis é esse mesmo, Marcelo. Ele jogou no São Paulo, mas fez sucesso, mesmo, no CAP e principalmente no Flu. Era um dos “cônjuges” do Casal 20, o outro era o Washington.
    Ainda hoje os tricolinos cariocas vira e mexe falam dele com saudades, e parece-me que ele mantém ligação estreita com o Flu até hoje.

    Hoje foi um sábado divertido. Tive alvará não para um, mas para dois jogos! E dei sorte, pois peguei esse jogo e na sequência o Norusca fazendo 4 no Sertãozinho. Apesar de maqueano, gosto do Norusca também. Que nenhum conhecido de Marília leia isso.

    :o)

  23. Xará,

    São situações distintas por diversos aspectos. O primeiro deles é que os desertores cubanos fugiram em terra tupiniquim, ou seja, não teriam as oportunidades e o apoio americano em solo brasileiro. Outra questão é que os atletas cubanos que fogem são apenas os figurões consagrados ou com potencial, pois os medíocres se beneficiam do tratamento igualitário dado por Fidel para conseguirem as oportunidades que jamais teriam em um país capitalista onde a meritocracia já os teria deixado pelo caminho.

    No caso do Vasco, não estamos falando de uma relação de 15 anos, mas estamos falando de um “atleta” desaparecido, sumido, sem crédito no futebol brasileiro e mundial até que reencontrasse seu futebol no Vasco da Gama. Méritos de Eurico e da estrutura dada a Leandro Amaral? Claro que não. Resultado de uma administração caótica que, sem dinheiro, só pode oferecer ao atleta a camisa do Vasco como vitrine. Por outro lado, o fracassado Leandro Amaral tb não tinha muito a oferecer ao Vasco, afinal, fora o nome de ter sido uma ex-promessa de craque, não tinha qualquer crédito naquilo que acaso quisesse dizer que poderia oferecer ao Vasco. Foi a união da gestão fracassada com a carreira fracassada que resultaram em um contrato bizarro.

    Como a vida real é diferente das novelas, neste caso não há mocinho. Ficou claro que um tentou dar no outro o golpe do bilhete premiado e o resultado foi o de sempre, o espertinho que quis enganar o pseudo-matuto se deu mal.

    Não sejamos levianos em tentar inocentar Leandro Amaral ou Eurico Miranda, afinal, ambos agiram pensando no bilhete premiado e o fim disso está longe de se resolver. Para o jogador, fica a lição de que nem sempre é possível arquitetar uma saída de um clube quando se está bem cotado no mercado.

    Vida que segue e fica a lição para os dois espertinhos deste caso.
    para terminar, FORA EURICO!

    Caro Marcelo, muito interessante seu ponto de vista e concordo que nessa história não tem santo. Mas você escreveu para um blog que mudou de endereço. Por favor, escreva para http://www.alemdojogo.com.br. Abraço

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: