Além do Jogo

O blog do Marcelo Damato

Guerra na Argentina

Posted by Marcelo Damato em domingo, 16 março 2008

Foi morto no sábado (15) mais um torcedor no futebol argentino. Emanuel Alvarez, 21, foi assassinado durante uma emboscada de torcedores rivais, contra a torcida do Vélez Sarsfield.

Álvarez estava num dos 40 ônibus da torcida do Vélez, que se dirigiam ao estádio do San Lorenzo, o Nuevo Gasómetro, quando foram emboscados perto da sede de outro time de Buenos Aires, o Huracán. Álvarez levou um tiro na cabeça. Foi levado ao hospital, onde chegou morto. O autor do tiro ainda não foi identificado.

Ao saber da partida, torcedores do Vélez no estádio exigiriam o adiamento da partida. Ameaçaram invadir o campo. A polícia não deu garantias de segurança e o árbitro Hector Baldassi suspendeu a partida.

Há duas versões para a autoria dos disparos. O primeiro é que os tiros partiram da sede do Huracán, conhecida como La Quemita. A segunda é que foram disparados por um homem com a camisa do San Lorenzo, que estava na carona de um carro branco que passou ao lado dos ônibus. Pelo ângulo da trajetória da bala, esse ponto deverá ser esclarecido.O responsável pela segurança nos estádios da Argentina, o ex-árbitro Javier Castrilli (sim, aquele mesmo), tentou suspender a rodada, mas a AFA pressionou o governo e conseguiu mantê-la.

O episódio reacendeu as rusgas entre Castrilli e os árbitros do país. O árbitro da partida, Hector Baldassi, responsabilizou Castrilli pelo incidente.

Ainda durante a carreira, acusou os colegas de protegerem os times grandes nos jogos contra os pequenos. Deixou a arbitragem por vontade própria em 1998, aos 41 anos – no mesmo ano em que apitou o polêmico Corinthians x Portuguesa -, por causa da quantidade de inimigos que colecionou ao cobrar lisura nas arbitagens.

Por causa da fama de rigoroso e incorruptível – o que contrasta muito com sua reputação no Brasil – foi nomeado para o governo cerca de dois anos depois de se aposentar. Tem se mantido no cargo desde antes da posse de Nestor Kirchner. No governo, Castrilli tem cobrado rigor contra a violência. Ele acusa os clubes de lavarem as mãos para o problema. Por isso, defende a suspensão do futebol, até que a situação se normalize.

Esta é a 224ª morte no futebol argentino, a 16ª em três anos. Todos os jornais argentinos estão dando o caso com muito destaque.

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2 Respostas to “Guerra na Argentina”

  1. JoaoBittar said

    Como dizia o personagem do “Apocalipse Now” no final do filme e pra resumir as coisas :
    ” Horror, Horror, Horror…”

    Os delinquentes do futebol , aqui e ali, se escondem atras da “paixao” pelo clube e justificam suas Barbaridades mais Primitivas, por “amor” as cores que juram “honrar”.

    Enquanto discutimos sobre torcidas e futebol, eles agem como terroristas urbanos sem causa nem etica, moral ou qualquer traço de sentimento humano, acobertados pelas “organizadas” que nem sempre incluem deliquentes natos, mas que os alimenta e os forma com seus metodos criminosos, sempre contando com a ajuda de dirigentes e atualmente ateh de tecnicos de futebol.
    Luxemburgo e outros que ajudam as torcidas têm que saber o que elas fazem com esse dinheiro além de samba.

    É isso aí, João. Não dá para separar a escola de samba da tropa de choque.

  2. Flavio said

    No Ocidente, provavelmente não há cobertura melhor para um delinquente que a torcida de um time de futebol. É fácil ser só mais um na multidão e pode-se dizer os maiores absurdos sem parecer um louco ou um criminoso. E ainda por cima, correm menos riscos do que se fossem terroristas ou membros de uma organização criminosa. Mas não há duvida que alguém que faz algo como isso não faz pelo seu clube; assim como há psicopatas que justificam seus crimes dizendo que o fazem pela justiça ou pelo bem comum, sujeitos como esse assassino, seja quem for, usam o nome do time para cometer violência.

    Por essas e outras, às vezes me pergunto se acabar com as torcidas organizadas não seria uma boa solução. Estar em grupo faz até gente normal fazer coisas terríveis, e sem estar organizado, fica mais difícil para gente como esse assassino se esconder.

    Flavio, um promotor de São Paulo já tentou fazer isso. A polícia inglesa condena. Diz que sem as organizadas é mais difícil monitorar essas pessoas. A Scotland Yard infiltra agentes em todas as torcidas. Essa estratégia tem suas limitações. Se a polícia começar a aparecer sempre na hora e local certos, os caras vão desconfiar.

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